Eu estive do outro lado do balcão antes de estar aqui
Antes de ser arquiteta, eu tive cinco negócios. Brownieria, esfiharia, hamburgueria, papelaria e um punhado de projetos complementares no meio do caminho.
Quebrei em alguns.
Não foi falta de produto bom nem de vontade de trabalhar. Foi aluguel fechado sem checar se o ponto podia funcionar daquele jeito. Foi layout montado no olho, sem entender por que o cliente entrava e saía sem comprar. Foi vigilância sanitária batendo na porta e eu sem saber o que ela ia pedir.
E é por isso que hoje eu faço assim
Eu voltei pra arquitetura em 2022, mas não voltei como quem nunca tinha saído de trás da prancheta. Voltei sabendo o preço de cada erro, porque paguei esse preço com o meu próprio dinheiro, no meu próprio negócio.
Isso muda o jeito que eu olho pra loja de um cliente. Eu não desenho pensando em prêmio de revista. Desenho pensando em fluxo, em quanto tempo a pessoa fica dentro, em quanto aquele metro quadrado custa por mês e se ele está devolvendo esse valor em venda.
E quando o assunto é legalização, eu não trato como burocracia chata. Trato como o que quase me tirou do jogo mais de uma vez: alvará, vigilância, bombeiro, prefeitura. A parte que ninguém posta no Instagram e que decide se você continua aberto ou não.
- Brownieria e esfiharia: onde aprendi que ponto errado custa venda todo santo dia
- Hamburgueria: onde aprendi o preço de abrir sem o alvará certo
- Papelaria: onde aprendi que layout também é sobre o funcionário conseguir trabalhar
Hoje
Arquiteta e urbanista, CAU/RJ A260313-6. Atendo dono de loja, clínica e escritório no Rio de Janeiro, nas duas frentes que mais travam um comércio: o espaço e o papel.